Bartender Embarcado- ep1
Bartender Embarcado- ep1

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Bartender Embarcado- ep1

A primeira vez que arrumei um emprego e fizeram uma festa para mim… lógico que porque ficaria longe por alguns meses, o fato de ter sido aprovado como bartender embarcado para um contrato me causou muita ansiedade mas foi incrível celebrar com os amigos isso me motivou para os meses que viriam a seguir. À todos aqueles que já sonharam em desvendar horizontes à bordo, seja em busca de conhecer o mundo ou de uma nova perspectiva sobre autoconhecimento, esta foi a minha história de aventura que superou todas as minhas expectativas.

Assistente de bar embarcado no gram holiday da Ibero

Um contrato a bordo de um cruzeiro, onde o mar não era apenas um cenário, mas um espelho das profundezas da alma, revelando lições inestimáveis sobre a minha própria existência, idiomas, gastronomia e acima de tudo sobre vício. Como narrar os momentos cruciais de nossa trajetória, aqueles que marcam um antes e um depois? Esta experiência, um verdadeiro divisor de águas, surgiu em minha vida de forma tão súbita quanto transformadora. Em um período de turbulência e anseio por novos caminhos, a oportunidade de me candidatar a uma vaga de “Barboy” em uma renomada companhia de cruzeiros surgiu como um farol na escuridão onde seria bartender embarcado.

Mal sabia eu que essa decisão, tomada com poucas esperanças de sucesso, seria o prelúdio de uma odisseia que moldaria meu ser de maneiras inimagináveis. Com um inglês forjado na autodidaxia, lapidado por tutoriais de informática e embalado pelo ritmo pulsante do HIP-HOP norte-americano, a aprovação parecia um sonho distante.

Meses se passaram, e a espera, permeada por uma mistura de ansiedade e resignação, finalmente chegou ao fim, o ano era 2013. A notícia da contratação não foi apenas um sim a um emprego, mas um convite para o desconhecido, uma passagem para o primeiro voo da minha vida.

A sensação de decolar pela primeira vez, com o mundo se encolhendo sob meus pés, era uma mistura inebriante de medo e excitação. O destino: Barcelona, com uma conexão estratégica no majestoso Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Aqueles primeiros “sprints” pelos corredores de um aeroporto internacional, com o coração batendo no ritmo frenético dos ponteiros do relógio, foram um batismo de fogo. A conexão era apertada, mas a empresa havia orquestrado cada detalhe, cada processo, com uma precisão que me fez sentir, pela primeira vez, verdadeiramente valorizado.

A percepção de que uma organização tão grande estava investindo em meu potencial, cuidando de cada etapa da minha jornada, era um bálsamo para a alma, um atestado de que eu era especial, finalmente bartender embarcado.

bartender embarcado fazendo uma ponte aérea em Paris para depois ir para Barcelona

Mal sabia eu, contudo, as realidades e os desafios que me aguardavam além daquele véu de otimismo. Ao desembarcar no imponente Charles de Gaulle, a grandiosidade do lugar era avassaladora. A corrida contra o tempo continuou, com a necessidade de pegar o metrô que serpenteava entre os terminais, uma dança contra o relógio que me levou a ser um dos últimos a embarcar no voo para Barcelona. Aquele momento, de finalmente me acomodar no assento do avião, trouxe um alívio quase palpável, uma tranquilidade que começou a dissipar a ansiedade que me corroía.

No entanto, a incerteza sobre o transporte do aeroporto ao porto de Barcelona, e a preocupação em chegar a tempo para o embarque, mantiveram uma tensão latente, um estresse que só seria apaziguado com a visão de uma placa familiar.

Chegando a Barcelona, a visão de um representante da companhia, segurando a placa com o nome que se tornaria meu lar flutuante, foi o calmante final. Aquele era o sinal de que a odisseia estava prestes a começar. O primeiro dia de bartender embarcado em um cruzeiro é, sem dúvida, um turbilhão de emoções e burocracias.

Barba feita e uniformizado para o trabalho

À beira do porto, em uma fila que parecia interminável, tive a oportunidade de conhecer alguns dos meus futuros companheiros de jornada, rostos que, assim como o meu, carregavam a mistura de apreensão e esperança. Fomos então direcionados a uma sala de treinamentos, onde a revisão de documentos, vacinas e a atribuição de postos de trabalho e posições de salvatagem nos aguardavam.

A entrega da chave da cabine, um espaço de apenas 9 metros quadrados que seria meu refúgio, e uma agenda de trabalho que rivalizava com a rotina militar, reforçaram a intensidade do que estava por vir. Com a cabine definida e os bares de atuação inicial designados, fomos orientados a nos dirigir ao ponto de encontro em caso de emergência, um lembrete constante da seriedade da vida em alto mar.

Bartender embarcado

Após pegar os uniformes, segui para acomodar meus pertences no pequeno dormitório, um espaço que, apesar de exíguo, seria meu santuário. Troquei-me rapidamente para assumir minha primeira jornada como bartender embarcado, que se resumiu à apresentação aos meus superiores e às minhas funções. Contudo, logo de início, um dilema se apresentou: a necessidade de uma transferência de cabine. Meu chefe de bar era brasileiro, e a ideia de dividir o espaço com ele, uma facilidade para o período de treinamento e em um espaço curto de tempo descobri que evitei muitos choques culturais com colegas de Sri Lanka ou Índia, teria sido um desafio ainda maior. Não por preconceito, mas pela complexidade das relações hierárquicas em um ambiente tão confinado.

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