Cruzando a França
Cruzando a França

Cruzando a França

Cruzando a França

Como esperar as boas vinda ou como não esperar e fazer dela uma certeza, o comportamento humano responde a nossa intenção e não foram poucas as vezes que ao identificar uma expectativa garantida, uma célula “humano” aparece para interferir nessa expectativa, cruzando a frança eu tinha algumas necessidades para me manter minimamente operacional por alguns meses.

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A principal delas era água e por incrível que pareça a água é negada em todas as partes por onde passei, nem sempre de forma expressa “cara à cara” mas as estruturas criam empecilhos e barreiras para que ao se servir desse ponto público, você fique a vista para uma espécie de guardião vir interferir ou perguntar o que quer que seja, sejam postos de gasolina, estações de camp-cars ou praças públicas, haviam alguns sinais de que eu cruzando a França em um carro velho não seria convivial.

As praças em particular só permitem que você pegue o necessário para aquele momento, eu andava com um reservatório de 33 litros e no momento que você se mantém por um tempo não habitual os questionamentos surgem.

Próximo à Paris logo que comecei a viagem um detalhe me chamou a atenção…não por estranhamento más por repetição de padrões, em meio aos caminhoneiros em um posto de gasolina, em sua maioria estrangeiros que comiam e cozinhavam nas áreas de descanso não havia estranhamento, ele entendiam a necessidade de reabastecimento de água e de um espaço para cozinhar, logicamente os frentistas pareciam um pouco confusos…mas a quantidade de gente parecia diluir a capacidade de intervenção ou curiosidade dos locais.

Como eu também carregava meus eletrônicos, os campings foram uma ótima alternativa para ter acesso a uma tomada que permitisse me manter cruzando a França com computadores funcionando, baterias da câmera carregadas e uma bateria extra do carro que me garantia a iluminação anoite, pelo menos no habitáculo que eu havia criado.

Como o orçamento era curto eram poucas as paradas em campings, sempre aproveitava para reabastecer meu galão de água mas ela durava bem mais que os eletrônicos…então sempre estava tentando conciliar as paradas, muitos dos lugares que parei havia sempre um rosto amigo, que me acolhia com um sorriso no rosto e trocava uma boa conversa, o impressionante é a interferência de agentes externos que ao identificar uma boa interação, buscando fazer parte “boa ou má” por vezes se sintonizavam e eramos mais de dois.

Mas em sua grande maioria faziam a pessoa de boa fé ter que escolher continuar com o estrangeiro ou mostrar para o paisano um alinhamento natural com seus paisanos, essa situação se repetiu muitas vezes.

O segundo camping foi um repouso incrível antes de chegar a Reims…tive tempo de me organizar e nessa parada ainda estava com a expectativa de rodar pelas regiões dos vinhos, foi um começo incrível, apesar de o primeiro camping não me acolher esse segundo por lotação ou preconceito, o segundo me recepcionou de maneira incrível.

Quando fui avançando em direção a champagne as coisas começaram a ficar mais sofisticadas, passando por Reims já encontrava espaços de campers totalmente automatizados sem necessidade de contato com a população local, rodei um pouco pela cidade, tentei visitar algumas caves sem muito sucesso, meu carro humilde chamava a atenção dos locais e sentia o estranhamento logo de cara.

Cruzando a França para o Sul

Segui para regiões não tão centrais, mas ainda assim estava lidando com os produtores das bebidas mais consideradas pela elite global, em minhas condições de empregado desse mercado a disposição foi se minando em poucas conversas.

A frustração de encontrar algumas portas fechados começaram a me fazer mudar de idéia e em uma segunda parada num desses campings automáticos passei um tempo refletindo, não tinha muito dinheiro para essa viagem, uma reserva de algumas centenas de euros e um seguro desemprego que duraria menos do que eu imaginei, logo se tornaria uma dívida impagável e a pedra que selaria meu não retorno a França.

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