Adeus à Rota dos Vinhos
Adeus à Rota dos Vinhos

Adeus à Rota dos Vinhos

Pôr do sol com carro na estrada

Adeus à Rota dos Vinhos

Um encontro foi chave para essa mudança de direção, em uma conversa com uma Francesa admirável, para que entendam o que era admirável naquele momento, ela me encheu de confiança para dar Adeus à rota dos vinhos e abandonar essa busca por uma cultura de vinhos da qual nunca fui bem vindo.

Ela não exitou em se aproximar…viajava com seu cachorro me parecia um labrador, a rejeição e estranhamento eram tão evidente para mim, que a princípio me pareceu um Anjo, sua coragem e altruísmo…um olhar direto sem desconfianças e uma conversa tão agradável sobre viagens e encontros aleatórios que quase me hipnotizava.

Quão difícil é abrir mão de um planejamento ainda que ilusório, todas as decisões relacionadas a minha profissão e ao alcoolismo eram pesos e tiveram relevância também para minha decisão, pensava haver encontrado um trabalho que poderia exercer pelo resto de minha vida.

Adeus à rota dos vinhos

Quando comecei a vigem estava convencido que aprenderia muito mais sobre destilados e vinhos, apesar de me manter entorpecido com erva e ainda prisioneiro da bebida, me sentia despertando pouco a pouco para minha saúde, mas também para a saúde de todos clientes que eu servia “envenenava”, minha atenção estava voltada a essa cultura, comecei a ter muitos flash-backs dessa década de servidão, conflitos sociais, morais e psíquicos causados por essa alteração de consciência provocada por um relaxamento indevido, não estava só dando adeus à rota dos vinhos.

Com muita insegurança em relação a atividade que iria exercer durante meus deslocamentos, estava com um computador que me permitia fazer algumas artes e prestar um suporte na área digital, havia comprado uma lousa para oferecer serviço de caligrafia aos restaurantes e pensava também em pegar alguns freelances em restaurantes como Bartender e Garçom, comecei a me dar conta de como era difícil transitar entre profissões.

Nada correu como previsto uma vez que sentia minhas costas e a perna esquerda, em meu primeiro trabalho pela Riviera já estava sentindo carregando caixas e minha cabeça não deixava eu parar de pensar no álcool e como deveria correr dele, por onde eu passava tinha que lidar com as memórias de meu alcoolismo e as reflexões começaram a ficar cada vez mais intensas.

Os insights de anos se manifestavam em meus pensamentos e algumas percepções se encaixavam com leituras que havia acessado, minha mente parecia começar a dar a devida importância ao que gigantes antes de mim haviam não só vivido mas superado o trauma e registrado seus próprios relatos, minha hereditariedade e os erros de nossa linhagem, tudo fazia muito sentido e a decisão foi naturalmente se vinculando a esse conhecimento que por intuição e a decisão de repousar gradualmente, me foram desvelados.

O fato de haver reconhecido o mal que eu estive exercendo durante os anos ao servir pessoas inconscientes em diferentes níveis, alimentando um culto a esse relaxamento ilusório e que leva a perversão, entorpecimento social e conivência em comportamentos degradantes… ainda é muito difícil para mim, sigo digerindo e trabalhando para despertar minha “plena consciência” cada vez mais e encontrar leveza em minha transição.