A Plena consciência já me era conhecida, não esteve nomeada em minha mente por medo de a tela perdida em meus pensamentos, andei evitando pensar e o medo dessa consciência foi aumentando uma vez que reconhecer a importância de algumas palavras nos põem em comprometimento com seu verdadeiro significado.
Uma menina “inconsciente” jogou tal palavra em uma mesa de conversa, em um espaço de tempo não distante ela seguia por expressar reações de paixão descontrolada, era difícil dizer, não sabia onde posicionar minha leitura de tais reações, de certa forma me encantava e não queria inibir meu objeto de estudo, ao menos naquela roda de conversa.

A Plena consciência sintonizada
De onde eu perdi essa memória, porque esse momento fez duas palavras saltarem a minha consciência e criar um hyper-foco sobre esse tema…o que importava nessa época era resistir aos ataques que essa sociedade inconsciente desferia em minha corrida por inclusão, algumas vezes falo como se eu houvesse me incluído em minha sociedade de origem.
A imigração nos coloca em um estado de alerta constante, tudo tem um sabor melhor, ficamos a flor da pele, aceitar toda rejeição que passamos ao longo da vida era para mim densificar o significado dessa palavra “plena consciência”, olhar para as dores e tentar superá-las não diminuía a beleza, as vezes sinto que a forma com que essa palavra chegou até mim criou uma dicotomia em seu significado, um rosto angelical tomado por paixão e prazer.
Teria invertido o sentido…teria eu sido convidado a uma plena consciência que repousava sob as luxurias da vida e isso faria seu significado diabólico, como trabalhar essa consciência em plenitude, levando em consideração nossa dualidade psíquica e física.
A natureza não nos permite confundir os prazeres estridentes de nossa existência com os mais simplórios, se entregar ao êxtase constante tem seu ponto de ruptura, parece que o relógio sempre esta contando para um retorno a simplicidade, se encontrar com o ponto de saturação é repousar em nosso próprio abismo, um vazio inconfundível uma vez que experimentado.

Poderia ela entregue à tais paixões ter consciência de uma vida vinculada a “plena consciência” ou de que lado a manifestação expressa ali repousava, enfim, eu não exitei e nomeei tal sensação ao menos em minha mente, essa palavra estava em sincronicidade com algumas memórias e a tempos parecia esquecida, a corrida perturbadora do cotidiano nos faz abandonar alguns conhecimentos, nessa época eu me sentia já tão esgotado, esse grupo me acolhia por um acaso do destino, em um sentimento velado me sentia roubando nomenclaturas ainda que proferidas aleatoriamente, pareciam me afastar do esgotamento que naquela época me era evidente.
Sua beleza me hipnotizou ao mesmo tempo que me despertava e doava vida, tudo se tornaria mais doce ao lembrar como esse anjo ou demônio me orientou, eu sinto cada vez mais compreender a minha ilusão, não nos encontraríamos muitas vezes, mas seria marcado sutilmente por essa interação que me rouba pensamentos tentando definir a sua polaridade, e me mantêm avançando sempre que penso.
