Um Estranho no ninho
Um Estranho no ninho

Um Estranho no ninho

Um Estranho no ninho

A ruptura do sonho de imigração não é um processo simples, diria que comigo ele foi acontecendo de maneira hibrida, tentem acompanhar “um estranho no ninho”. A medida que envelhecemos física e psiquicamente, nos mantemos expostos a todos os tipos de conteúdos essa é a condição humana queiramos ou não e comigo através de um processo que não sei explicar muito bem, por interesse ou impulso fui direcionando alguns conhecimentos dos quais percebi serem pedras fundamentais na história de nossa sociedade, temos como percepção que a imigração é um fenômeno antigo e na verdade ficamos uns milênios nos sedentarismo societal, longe de mim tentar bancar um professor aqui, mas vou me esforçar para que fique claro essa passagem de meu entendimento.

O pós guerra transformou o inconscience de muita gente, que por condições conflitivas dessa época motivou a busca uma nova vida em outro país, todos esses seres decepcionados com as posições políticas de seus governantes “desertaram” a essa luta por um ideal local, conquistado a base da força, quando vivemos a expatriação nos colocamos em uma posição capaz de compreender nossos irmãos do passado, tanto na partida de casa quanto na tentativa de inclusão, em uma certa idade e com vivência suficiente ganhamos um poder de dedução incrível, baseado na estrutura comportamental a qual estamos intrinsecamente ligados, após todas essas viagens sofri com meus antepassados e com os antepassados de outros…imaginando como foi difícil se provar novamente em terras estranhas. A evolução da propaganda fez da imigração um produto e os desavisados serviram de garotos para essas propagandas, ainda tento entender o que motivou esse impulsionamento mas me faltam ferramentas, temos por tendência nos mostrarmos fortes seja para nossos familiares ou para os que acessam nossa esfera de convivência, com o desenrolar da propaganda haviam os que de maneira estável exibia o acesso a essas interações inter territoriais e haviam os que na força da vontade impulsionados pela necessidade e sonho de constituir família de maneira estável se aventuraram.

O que quero trazer aqui nesse texto, apesar da minha sensibilidade para conflitos cotidianos e incapacidade de compreensão para com os tratos humanos de nossos tempos, não consegui me adaptar e aceitar o choque cultural fui um estranho no ninho alheio, o senso de propriedade habita em cada país ressoando as cargas culturais locais e apesar de meus privilégios e peculiaridade na maneira de viajar não posso me abster de registrar.

Nem sempre um estranho no ninho

Eu encontrei sim muitas situações inspiradoras por onde passei e seres humanos incríveis, aqueles de nos fazem brilhar os olhos, amores verdadeiros e inspirações que levarei para sempre. Mas em meu subconsciente existe uma voz que grita tentando me mostrar que essa base humana existe por todos os lados, escolher ficar próximo de minha família após esse “fracasso” é tentar parar de esconder minhas insuficiências, quando adolescente ficava buscando a vida adulta, buscando maneiras de financiar minha existência para não responder as regras que se impunham ao meu redor, hoje percebo como elas estão por todos os lados da sociedade e é impossível de se desvincular, fiz minhas burocracias de inclusão societal em diferentes sociedades e nenhuma delas garantia nada por cumprirmos com a base dessa inclusão, até falhavam muito mais do que sonhei. Ter como fator determinante a história e se fortalecer psiquicamente antes de se aventurar pode fazer toda diferença em seu processo de inclusão, ser alguém sem consciência nenhuma também, o que me fez não acreditar nesse processo e romper com a ilusão que criei através dos anos foi não mais servir de garoto propaganda enganado. A ilusão Hollywoodiana vendida por uma classe que se desloca como se estivesse em um safari vendo humanos, comportamentos totalmente desconectados da vida real e tudo que representa essa farsa societal em que nos encontramos. A mudança real só poderá ser implementada com o maior pedido de desculpa de todos, onde os herdeiros recuperam a consciência revisitam suas hereditariedades, sofrendo com seus antepassados e abrindo mão desse legado psíquico e financeiro que nos apodreceu até os dias de hoje, sempre serei um estranho no ninho, nesse ninho intergalático que vagando pelo espaço parece deixar tontos seus habitantes.

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