Desconforto particular
Desconforto particular

Desconforto particular

Desconforto particular

Sobre os caminhos que se abrem a nossa frente, muito se fala da xenofobia e os pré conceitos contra imigrantes dos quais por hora irei chamar de “Desconforto particular”, mais profundamente são os negros que sofrem diretamente tal desconforto, em nossa história civilizacional coube a eles carregar o maior de todos fardos, através de minhas viagens vivenciei uma fronteira que não tentarei compara com tais danos psíquicos que se arrastam até os dias de hoje, mas quero trazer uma reflexão partindo do centro de nossas existências e inseguranças.

Viemos ao mundo sem muitas instruções, acolhidos por um amor incondicional inicialmente, nos braços de nossas mães, podem durar minutos as vezes dias e para muitos uma vida inteira, a pergunta é quanto tempo podemos nos manter próximos e sentir esse carinho absurdo, não esta previamente determinado.

Esse mundo é coberto de mistérios que não conseguimos resolver ou garantir a todos um proveito “máximo” dessa conexão familiar, partimos dessa falta de instrução e motivados por esse ser “mãe” que preza por nosso desenvolvimento buscando uma sobrevivência longa e prospera, estamos sempre assustados procurando ferramentas que nos permita dar continuidade a esta jornada, as vezes encontramos ferramentas efetivas mas que não são muito bem aceitas socialmente, nossas respostas “interações” a tudo e a todos primeiramente busca essa sobrevivência ou subsistência.

Através nosso desenvolvimento podemos mudar ou adaptar essas ferramentas, para que possamos cada vez mais estarmos aptos a tal inclusão social, nos esquivando de leis e regras a vida vai se desenvolvendo sem muitas margens para erros…ela oscila com o passar dos anos, alguns com mais chances e outros no “fio da navalha”.

Os encontros não se dão somente de forma conclusiva, através de aperto de mãos e conversas, eles se fazem por cruzares de olhos e percepções existenciais, tanto no que é mais evidente e atinge nossos sentidos frontalmente, e em segundo momento o mais sutil, o que esta encrustado em nossas almas, nos seres humanos em uma distancia média é possível se identificar com outros, no sentido mais elementar sabemos se é uma mulher ou um homem, sua cor se evidencia, logo nossa mente tenta nos aproximar desse outro ser, partindo de nossa origem e não só por traços faciais quanto o frisar dos pelos.

Algumas caminhadas sozinho me mostravam o quanto as mulheres se incomodavam ao ver um homem sozinho em sua direção, um medo baseado em conceitos que nossa mídia veicula, algo mais intimo, é mais difícil intuir, tentamos nos enquadrar às expectativas do outro, sempre! Para sermos agradáveis, fazer o mundo não parecer tão miserável e violento como tentam colocar em nossos corações.

Por vezes esse reconhecimento busca um sonho amoroso que mora em uma ambiguidade daqueles que já sofreram por amor. Buscando no outro algo ideal para repousarmos nosso ser, admirarmos e em ultima instancia realizar a sagrada união, que gera o fruto da arvore da vida. Refletindo sobre o sonho que estamos inseridos, sonho de constituir família, seria incrível se pudessemos gozar de uma vida plena, lutando para que não nos interrompam o tempo que temos, e que possamos transmitir amor a nossos descendentes.

Muita gente se sente apavorada por onde andam e não que não saibam disfarçar, elas ressoam isso no intimo invisível. Poder ler e sentir isso como observador externo é por vezes horrível, se torna algo que se repete e lutamos tentando transmutar, não absorver para não perder nossa paz.

Desconforto particular para quem não sente

A maneira como lidamos com isso de forma inconsciente ainda me escapa o entendimento, quando somos crianças, estamos revidando os incômodos de maneira desordenada, sem dominar nosso espírito, a sociedade deu um nome para alguns conflitos que se manifestam regularmente, estamos submetidos a essas etiquetas, sem nem pensar na origem de tais reações, nos afastamos do amor que nos recebeu, protegendo ele dentro de nossos corações como se o outro pudesse nos tirar ele.

De maneira inconsciente ficamos presos nesse espiral comportamental usando do mais evidente aos nossos sentidos para deferir ataques que afastem o incomodo. O outro que se coloca à nossa frente, sendo ele índio, preto, branco ou nosso verso “sexo”, nesse ultimo caso, queremos aquela que possa reproduzir de forma infinita o amor incondicional de outrora, estamos todos presos a um modo de operar parecido com “+”,”-” e “Neutro”.

Decidimos o que queremos o que não queremos e o que merece somente observação, vejo como de maneira infantil nos deixamos agredir e agredimos por decreto do que queremos ou não, os observadores tem nomeado essas interações sem propor nenhuma solução prática.

Mas é preciso decretar para si mesmo a consciência, ver com clareza a ingratidão milenar que subjuga nossos irmão negros, que nos legaram a base social em que nos apoiamos hoje. Essa discussão não terá fim se não pela boca dos herdeiros, donos de patentes estruturantes da modernidade.

Enquanto isso não se manifesta rezamos para que os deuses, que haja justiça, a cada dia que passa fica mais evidente que o legado Africano foi roubado, e nos preceitos dos antigos hieroglifos bubscamos disseminar a consciência e a verdade, para que no meio dessa confusão generalizada, possamos encontrar compaixão e misericórdia para com nossos semelhantes. Saciar essa sede de vingança dormente, uma vingança justa, e que por vezes quero fazer parte, o desconforto e ataques estão por todas as partes deem o nome que quiserem…aos que se esqueceram acordem e aos que andam desatentos é tempo de se realinhar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *