Moscando
Moscando

Moscando

Moscando

Moscando... só que não!

Sempre fui muito atento, me sinto em conexão visual com o mundo não sei se por medo ou tentativa de me preparar para a sobrevivência, acho que esta intrinsecamente ligado a minha sensibilidade que me impulsiona a olhar os mínimos detalhes por onde eu passo. Quando chegávamos ao norte da africa, especificamente em Tunis era inacreditável a quantidades de moscas que embarcavam, uma fartura de alimentos no navio. Parecia ser a salvação desses pequenos insetos, o que não sabiam é que se submeteriam a uma jornada marítima onde ficariam moscando e seriam caçadas pelos tripulantes durante os próximos 7 dias.

Moscando... só que não!

Moscando… só que não!

Era muito engraçado…sempre parecíamos arrumados e limpos por exigências do contrato, as moscas revelavam onde estava sujo seu uniforme, sem falar dos sapatos, podíamos ver mais de vinte moscas fácil grudadas em nossas botas buscando o xarope em nossos coletes e camisas, bom, como eu disse após sairmos de Tunis levavam em média 6 a 7 dias para que elas sumissem dos ambientes.

O que deveria ser um oasis para as proporções desses insetos que viviam moscando em uma região árida do norte da africa acabava por ser o fim de sua existência e linhagem, as que conseguissem controlar o desejo pela doçura da comida e interromper o consumo, retornando ao continente e se dando por satisfeita, teria uma vida difícil mas poderia se lembrar dos momentos de fartura com a passagem desse megalodonte “Navio”.

As que tomaram como certa uma mudança de sua existência e realidade, se referenciavam pelo piso do navio e o acompanhavam pensando que ainda orbitavam a terra, mas quando em uma pequena tentativa de se distanciar do navio pensando em voltar a terra se deparavam com um oceano e já não alcançavam mais o navio.